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Relatório de Estabilidade Financeira – Banco de Portugal

Foi hoje publicado o Relatório de Estabilidade Financeira de novembro de 2023 no qual se avalia os progressos da economia portuguesa e do sistema financeiro.

De acordo com o Banco de Portugal, os riscos para a estabilidade financeira aumentaram, refletindo a restritividade da política monetária, o abrandamento da atividade económica e, mais recentemente, a incerteza política.

Apesar da tendência de descida da inflação, esta permanece acima do objetivo de médio prazo estabelecido pelo Banco Central Europeu. Os conflitos militares em curso, na Ucrânia e no Médio Oriente, acrescentam complexidade à condução de políticas, dado o potencial efeito sobre a inflação e a atividade económica. Podem originar desvalorizações de ativos e subidas dos prémios de risco nos mercados financeiros internacionais. O recente quadro de incerteza política que o país vive é uma nova fonte de risco, apesar de mitigada pela expectável aprovação do Orçamento do Estado para 2024 proposto pelo atual Governo.

Os riscos decorrentes do contexto de acrescida incerteza realçam os méritos do ajustamento que a economia portuguesa registou na última década, transversal aos vários setores institucionais, e apelam à manutenção dessa trajetória.

Os principais riscos e vulnerabilidades para a estabilidade financeira são:

  • A pressão acrescida sobre as contas das administrações públicas;
  • O aumento do incumprimento das famílias mais vulneráveis;
  • A dificuldade das empresas para assegurar o serviço de dívida, em particular das mais vulneráveis;
  • A correção de preços no mercado imobiliário residencial.

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(Gráficos: Banco de Portugal)

O principal risco para o sistema bancário português decorre de uma potencial materialização acrescida do risco de crédito de empresas e particulares.

É fundamental que o setor bancário continue a promover a sua resiliência a potenciais choques adversos, conservando o capital gerado organicamente, e que incorpore ativamente a digitalização e a transição climática nas suas análises de risco, tendo também presentes os desenvolvimentos regulatórios associados.

O Banco de Portugal anunciou, em 15 de novembro de 2023, com entrada em vigor em 1 de outubro de 2024, a implementação de uma reserva sectorial para risco sistémico de 4%, sobre o montante das posições ponderadas pelo risco da carteira de particulares garantidas por imóveis destinados a habitação, localizados em Portugal, aplicável às instituições que utilizam modelos internos para efeitos do cálculo dos requisitos de fundos próprios (IRB, Internal-Ratings Based, na sigla inglesa). A implementação da medida teve em conta as reservas de gestão, atuais e prospetivas, dos bancos, mitigando o risco de pró-ciclicidade, ou seja, potenciais efeitos negativos sobre a capacidade de oferta de crédito.

Complementarmente, no âmbito da Recomendação Macroprudencial sobre os novos contratos de crédito celebrados com consumidores, e para não prejudicar a concessão de crédito numa fase negativa do ciclo financeiro, o Banco de Portugal decidiu reduzir em 150 pontos base o choque na taxa de juro utilizado para o cálculo do rácio debt service-to-income (DSTI) para novos créditos às famílias com maturidade superior a 10 anos, estabelecendo-se reduções proporcionais nas restantes maturidades.

Temas em destaque e caixas

Esta edição do Relatório de Estabilidade Financeira inclui dois temas em destaque:

– Risco de taxa de juro na carteira bancária.

– A importância das reservas de capital de gestão para a concessão de crédito a empresas.

Apresenta ainda cinco caixas:

Caixa 1 • A redução dos depósitos de particulares no primeiro trimestre de 2023: determinantes e implicações;

Caixa 2 • Evolução da atividade dos fundos de investimento imobiliário em Portugal;

Caixa 3 • Margem financeira — o impacto do ajustamento patrimonial das últimas duas décadas;

Caixa 4 • Transmissão das taxas de juro do BCE às taxas de juro de depósitos de particulares em Portugal;

Caixa 5 • Garantias públicas a empréstimos e estabilidade financeira.

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Estatísticas de Emprego – IEFP  

Durante o mês de outubro de 2023, inscreveram-se nos Centros de Emprego 54.694 pessoas, o que representa uma variação mensal de -3,5% e uma variação homóloga de 8,1%. Durante este mês, foram efetuadas 8.442 colocações, o que corresponde a uma diminuição de 14,8% face ao mês anterior e a uma variação homóloga de 25,0%.

No final do mês de outubro de 2023, estavam inscritos nos Centros de Emprego 303.356 indivíduos, o que corresponde a uma variação mensal de 1,1% (3.243 pessoas) e a uma variação homóloga de 4,9% (14.231 pessoas).

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(Tabela: IEFP)

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(Gráfico: IEFP)

A nível regional, no mês de outubro de 2023, com exceção dos Açores (-14,2%) e da Madeira (-26,6%), o desemprego aumentou em termos homólogos, com o valor mais acentuado na região do Algarve (8,9%).

Já em relação ao mês anterior, com exceção das regiões da região do Norte e do Centro, a tendência é de aumento do desemprego com a maior variação a acontecer na região do Algarve (23,1%) e do Alentejo (7,4%).

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(Gráfico: IEFP)

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Índice de Preços na Produção Industrial – INE  

Em outubro de 2023, o Índice de Preços na Produção Industrial registou uma variação homóloga de -5,0%, mais 0,2 p.p. face ao registado no mês anterior (-5,2%).

O agrupamento de Energia, apresentou uma variação homóloga de -14,8%, mais 0,8 p.p. face à variação verificada no mês de setembro de 2023 (-15,6%). Os agrupamentos de Bens de Consumo e Bens Intermédios apresentaram variações homólogas de 2,8% e -6,0%, respetivamente, o que compara com as variações de 3,5% e -6,5%, registadas no mês anterior. O agrupamento de Bens Investimento registou uma variação homóloga de -0,1% (-0,1% no mês anterior).

O índice relativo à secção das Indústrias Transformadoras registou variações de -4,1% em termos homólogos (-4,5% no mês anterior) e de 0,4% em termos mensais (0,0% em outubro de 2022).

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O Índice de Preços na Produção Industrial registou um valor de 126,1 pontos em outubro de 2023, menos 0,2 pontos em relação ao mês precedente. O agrupamento de Bens Intermédios diminuiu 0,1 pontos para 127,1 pontos. O agrupamento de Bens de Energia diminuiu 2,6 pontos para 134,8 pontos. O agrupamento de Bens de Investimento diminuiu 0,1 pontos face ao mês anterior para 107,9 pontos, enquanto os de Bens de Consumo registaram mais 1,2 pontos, passando de 125,1 pontos em setembro de 2023 para 126,3 em outubro de 2023.

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Remuneração bruta mensal por trabalhador – INE  

De acordo com o INE, no 3º trimestre de 2023, a remuneração bruta mensal média por trabalhador (posto de trabalho) aumentou 5,9%, em relação ao mesmo período de 2022, para 1.438 Euros.

A componente regular daquela remuneração aumentou 6,2% e a remuneração base subiu 6,6%, atingindo, respetivamente, 1.216 e 1.145 Euros. Em termos reais, tendo como referência a variação do Índice de Preços do Consumidor, os aumentos das remunerações médias por trabalhador foram 2,4%, 2,6% e 3,0%, respetivamente. Trata-se do quinto mês consecutivo em que são registados aumentos reais nas remunerações desde novembro de 2021.

Estes resultados dizem respeito a cerca 4,7 milhões de postos de trabalho, correspondentes a beneficiários da Segurança Social e a subscritores da Caixa Geral de Aposentações, mais 3,8% do que no mesmo período de 2022.

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(Gráfico: INE)

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Síntese Económica de Conjuntura – INE

O Indicador de Clima Económico publicado pelo INE registou 0,8% em outubro de 2023, que compara com 0,9% registado no mês anterior. O Indicador de Atividade Económica em setembro de 2023 registou o valor de 0,2% (VH), superior em 0,6 p.p. em relação ao mês anterior (-0,4%, VH).

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No mesmo mês, a opinião dos empresários sobre a Carteira de Encomendas Externa registou um valor de -22,0 (sre/ve), que compara com o valor de -19,9 (sre/ve) registado no mês anterior.

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Ainda em outubro de 2023, a variação do Índice de Preços no Consumidor para os bens foi de 0,8% (VH) e para os serviços foi de 4,1% (VH). Estes valores comparam com 3,0% (VH) e 4,4% (VH) registados no mês de setembro de 2023, respetivamente.

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Nota: sre – saldo de respostas extremas; ve – valores efetivos.

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Inflação – IHPC – Eurostat

Em outubro de 2023, a taxa de inflação anual (variação homóloga (VH)) em Portugal, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), situou-se em 3,2%, inferior em 1,6 pontos percentuais (p.p.). ao mês anterior. Este valor representa uma variação mensal de -0,4% entre setembro e outubro de 2023.

Na Zona Euro, a taxa de inflação anual (VH) situou-se em 2,9%, diminuindo 1,4 p.p. face ao mês anterior. A taxa de inflação anual da UE27 situou-se em 3,6% (VH) em outubro de 2023, diminuindo em 1,3 p.p. face ao valor de setembro. A variação mensal do índice situou-se em 0,1% na Zona Euro e na UE27.

A taxa de variação da média anual dos últimos 12 meses do IHPC foi de 6,6% para Portugal, de 6,6% para a Zona Euro e 7,6% para a UE27.

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Taxas de Juro Implícitas no Crédito à Habitação – INE

Em outubro de 2023, a Taxa de Juro Implícita no Crédito à Habitação fixou-se em 4,433%, o valor mais elevado desde março de 2009, registando um aumento de 0,163 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mês anterior (4,270%).

A taxa de juro implícita nos contratos celebrados nos últimos 3 meses aumentou para 4,380%, atingindo o valor mais elevado desde abril de 2012, o que compara com 4,366% em setembro de 2023.

O valor médio do capital em dívida fixou-se em 64 186 euros, registando um aumento de 224 euros face ao mês anterior (63 962 euros).

Considerando a totalidade dos contratos, o valor médio da prestação mensal fixou-se em 392 euros em outubro de 2023, mais 6 euros que em setembro de 2023 e mais 113 euros que em outubro de 2022. Deste valor, 234 euros (60%) correspondem a pagamento de juros e 158 euros (40%) a capital amortizado. Em outubro de 2022, a componente de juros representava 25% do valor médio da prestação.

Em outubro de 2023, o valor médio da prestação vencida total nos contratos celebrados nos últimos 3 meses fixou-se em 644 euros, o que equivale a um aumento de 16 euros relação ao mês anterior (628 euros).

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Investimento Directo – Banco de Portugal

Em setembro de 2023, o investimento directo em empresas em Portugal registou transacções de 1 089 milhões de euros (-221 milhões de euros no mês anterior). O investimento directo de Portugal feito em empresas no estrangeiro foi de 464 milhões de euros (9 milhões de euros no mês anterior).

O saldo do Investimento Directo (transacções), ou seja, a diferença entre o investimento feito em empresas no estrangeiro e o investimento em empresas em Portugal, foi de -625 milhões de euros, diminuindo 855 milhões de euros face ao mês anterior.

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De janeiro a setembro de 2023, as transacções acumuladas do Investimento Directo em empresas em Portugal foram de 3 663 milhões de euros, que compara com 5 294 milhões de euros no período homólogo.

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Nota: Investimento Direto é a categoria de investimento através da qual um investidor tem o controlo ou grau de influência significativa (controlo direto, com 50% dos direitos de voto, ou indirecto, entre 10% e 50% dos direitos de voto) na gestão de uma empresa doutra economia. Os activos incluem o investimento feito por residentes em empresas residentes no exterior e os passivos incluem o investimento de não residentes em empresas residentes em Portugal. Inclui investimento em imobiliário (propriedades e casas) para uso pessoal e arrendamento.

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Balança Financeira – Banco de Portugal

Em setembro de 2023, a Balança Financeira registou um saldo de 1 353 milhões de euros, diminuindo 447 milhões de euros em relação ao mês anterior.

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Nota: A Balança Financeira regista as transações que envolvem ativos financeiros sobre o exterior detidos por residentes em Portugal e as transações que envolvem passivos financeiros dos residentes detidos por não residentes. Desde a entrada em vigor da norma BPM6, do FMI, é apresentada em termos de “variação líquida de ativos” e de “variação líquida de passivos”.

Na balança financeira, os registos a débito e a crédito têm diferentes interpretações consoante dizem respeito a ativos ou a passivos. Por um lado, um crédito (entrada de dinheiro) traduz uma redução de ativos ou um aumento de passivos, enquanto um débito (saída de dinheiro) traduz um aumento de ativos ou uma redução de passivos.

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